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World’s Strongest Man – 2018

 

Força, resistência, velocidade… Levantar, arrastar, lançar… tudo isso faz parte do Strongman, também chamado de atletismo de força. A modalidade, que teve início a partir de uma competição realizada pela Universal Studios da Califórnia (EUA) em 1977 para saber quem era “O Homem Mais Forte do Mundo” (World’s Strongest Man), desembarcou no Brasil há pouco mais de 20 anos, mas tem registrado um número crescente de fãs e praticantes dentro das academias.

Se em 1996, Vilmar Oliveira, um dos grandes nomes do powerlifting brasileiro, teve trabalho para organizar as primeiras competições de Strongman no país, hoje vemos o “Força Bruta”, competição que reúne atletas nacionais e internacionais, ser transmitido ao vivo pelo Esporte Espetacular da TV Globo, um dos maiores programas esportivos do país, exibido semanalmente em rede aberta.

“O que também tem ajudado na divulgação da modalidade é a presença do Strongman no Arnold Sports Festival, que veio para o Brasil em 2013 graças a Ana Paula Leal Graziano, considerada por muitos “madrinha” do esporte no país. Mas não podemos também deixar de lembrar que em meados de 2007 o Marcos Menezes, o “mutante”, e o Marcos Mohai, atletas e campeões de Strongman, foram os responsáveis pela realização dos primeiros eventos de nível nacional, impactando diretamente no crescimento da modalidade que vemos hoje”, conta Luciano Afonso Sarti, eleito recentemente presidente da A.S.A.F (Asociación Sudamericana de Atletas de Fuerza).

Praticante do esporte desde 2013, Luciano tem se engajado cada vez mais no desenvolvimento da modalidade, atuando dentro das principais organizações do esporte. Junto com Marcos Menezes, presidente da Federação Paulista de Strongman, fundador da equipe Strongman Brasil e diretor da A.S.A.F e da WSF no Brasil, a dupla elaborou um planejamento estratégico para ajudar atletas e profissionais da área a crescerem nas mais diversas vertentes do esporte.

UNIÃO E GESTÃO
Um dos grandes responsáveis pela divulgação do esporte, especialmente no nordeste do País, foi o Coronel Almir Fernandes, atual presidente da Confederação Strongman Brasil, que conta atualmente com 4 federações filiadas (São Paulo, Ceará, Paraíba e Piauí). A proposta é alcançar os demais estados brasileiros nos próximos 5 anos e para isso, a ideia é aproveitar a expertise de Luciano, Marcos e equipe no esporte, promovendo um trabalho diferente do que se tem visto na modalidade até o presente momento.
“Nós, como praticantes do esporte, sabemos exatamente quais são as principais barreiras para que atletas possam crescer e se desenvolver na prática esportiva. Por isso queremos instalar uma gestão voltada para o atleta, para a equipe, para a modalidade, que não seja focada individualmente e isoladamente, como era anteriormente”, explica Luciano.
Uma das maiores pedras nos sapatos dos atletas está na captação de recursos para se manterem no esporte. Ciente disto, a dupla também está trabalhando para oferecer soluções alternativas e facilitadoras.
“Uma das primeiras medidas que tomamos foi isentar atletas de pagamento de inscrição em campeonatos. Existem outras ações que estamos trabalhando para conquistar, como oferecer hospedagem gratuita e alimentação completa nos dias de evento.

Para isso a nossa principal conexão será com os patrocinadores e órgãos públicos, criando uma parceria duradoura e benéfica para as partes”, ressalta Sarti.

TRANSPARÊNCIA NO PROCESSO
Outro ponto importante do trabalho da equipe de Luciano Afonso e Marcos Menezes é a definição clara das etapas que um atleta nacional precisa para chegar entre os melhores do mundo e representar o Brasil.
Será estabelecido um ranking e os melhores ranqueados terão a chance de seguir e evoluir em sua carreira profissional competitiva. O atleta começa participando de competições estaduais, depois passa pelos eventos nacionais e só a partir daí ingressa no campo internacional, tendo a possibilidade de competir no sul-americano e posteriormente em uma competição mundial de Strongman profissional.
“Em outras palavras, tudo terá um início, meio e fim e isso é muito importante para o planejamento do atleta e seus objetivos no longo prazo”, afirma Luciano.
Nesta temporada o principal desafio já está com data e local marcado. No dia 22 de setembro ocorre em Ilhabela, litoral norte paulista, o campeonato Brasileiro e Sul-Americano, o Strongman Brasil Pro ASAF-WSF Ilhabela International Challenge 2018, com apoio da secretaria de esportes do município de Ilhabela e os seus gestores Beto de Mazinho e Flávio Cesar. A competição contará com a participação de atletas de 8 países da América Latina e o evento também será classificatório para competições profissionais da WSF (World Strongmen Federation).
“Estamos muito ansiosos e motivados. Será a primeira vez que a A.S.A.F e a WSF fazem juntas um campeonato de Strongman no país”, exalta Luciano.

Em 2019, estão previstas no calendário quatro competições e uma outra grande surpresa também está sendo estudada. “Pretendemos realizar uma espécie de Festival, chamado Ethnosport. É um evento do qual a WSF faz parte, que consiste em uma competição com 3 ou 4 modalidades esportivas lideradas pelo Strongman, focando também no aspecto cultural de cada país.”, comenta Sarti.
Muitos não se recordam mas o Strongman tem raízes culturais bastante peculiares. Os Vikings – guerreiros nórdicos que invadiram, exploraram e colonizaram várias áreas da Europa e das ilhas do Atlântico Norte entre o final do século VIII até ao século XI – demostravam sua força levantando pedras e em alguns países da Escandinávia isso ainda é uma tradição. Por volta de 1700, surgiu na Escócia os Highland Games, jogos que uniam exibições e entretenimento, onde também se realizavam eventos de força, como o lançamento de tronco.
Se há alguns anos Ricardo Nort, campeão catarinense, brasileiro e mundial de levantamento terra e supino nos EUA, único brasileiro na história a participar de um qualifier do WSM (Giants Live), primeiro sulamericano a participar do programa ‘’super humanos’’ América Latina e considerado um dos homens mais fortes do mundo foi capaz de vencer um campeonato de Strongman competindo de calça jeans, saindo da platéia e sem nunca ter treinado, com toda essa estrutura que está sendo criada, quem sabe o “homem mais forte do Brasil” não esteja só aguardando para ser descoberto.
Nota: Através do Sensei Bruno Fagotti, Diretor de Artes Marciais, a equipe Strongman Brasil fechou um acordo para dar início ao projeto Crosstrong / Strongman na Associação Portuguesa de Desportos, com previsão para o mês de junho deste ano.

 

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