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Um VEGANO pode ser atleta?

 

Atleta e Campeão na Categoria Class 1 (acima de 1,79cm de altura), no II Campeonato de Fitness e Musculação de Mairinque, Felipe Garcia é o primeiro vegano a conquistar um título no Brasil. Não foi uma tarefa fácil. Trocar uma dieta convencional pela vegana é com certeza uma adaptação complicada. Substituir a proteína animal pela vegetal requer uma cultura e uma ciência. Também o preconceito de praticantes e atletas de Fisiculturismo dificultou a adaptação, pois achavam um absurdo um vegano ganhar músculos ou definir o corpo. A persistência e os estudos com relação ao assunto proporcionou a conquista de seus objetivos e uma preparação saudável para competir em alto nível em duas competições: 1º Campeonato Paulista de Culturismo e Fitness, no próximo dia 12/08 e o 4º Campeonato Paulista do Interior de Musculação, dia 02/09.

UM VEGANO PODE SER ATLETA?

Felipe Garcia prova que sim

Felipe Garcia do Carmo começou a se interessar pela musculação aos 13 anos de idade quando lia as revistas de Musculação e de Fisiculturismo, mas devido ao preconceito do pai, que achava que musculação
impedia o crescimento dos ossos em relação a estatura, não praticava o esporte. Aos 18 anos, entrou em uma academia. Ele conta seus primeiros passos no esporte: “Desde que entrei na academia, peguei gosto e não parei mais. Decidi ser fisiculturista.” Para se desenvolver no esporte entrou na faculdade de Educação Física, se formando em licenciatura na Faculdade Uirapuru e depois concluiu bacharelado na Faculdade Anhanguera. Nesse período ele passou a conviver com atletas de competição, como Hélio Henrique Carnacini (Seu atual técnico e fundador da equipe Hélio Top TEAM – H.T.T.) e Plínio Gonçalves, que lhe  deu orientações e treinamentos específicos. Em 2003, ez sua primeira dieta e só não competiu porque ainda não sabia fazer poses.

 

A Opção pelo Veganismo
A vida e a carreira de Felipe Garcia mudaram completamente quando ele optou pela dieta vegana, em 2013. Vendo uma foto numa rede social, postada por Luisa Mell, que mostrava um filhote de cachorro, na China, triste pela mãe que estava enjaulada para ser morta posteriormente e virar alimento, lembrou de um filhote que tinha há meses anteriores e que morreu atropelado. “Refleti sobre aquilo e desde aquele dia em diante decidi não comer mais carne. E assim foi. Virei ovolactovegetariano (deixou de comer carne, mas ainda consumia ovos e derivados de leite) por apenas três semanas e logo parti para o Veganismo (alimentação sem carne e derivados de  produção animal), pelo amor aos animais. Atualmente luto não só pelos animais, mas pelos humanos e por um mundo melhor a todos!”

O novo adepto do Veganismo foi se informando, assistindo vídeos pela internet e trocando informações com outros atletas veganos, como o baiano fisiculturista Paulo Vitor (Paru), primeiro atleta vegano a competir no Basil, Manoel Castro Neto e um grupo de internet de Musculação vegana.  A mudança refletiu em seus treinamentos, conforme o atleta relata: “No início sofri queda de força e rendimento nos treinos, pois aboli da minha dieta 1 kg de peito de frango e 20 claras de ovos por dia, sem me atentar as calorias que deixaria de consumir, sem substituí-las pelas “novas calorias” dos alimentos e proteínas vegetais. Logo, por esse déficit calórico que não foi substituído, perdi rendimento. Foi como se tivesse em uma dieta com redução de calorias; o corpo tende a ficar fraco mesmo.” Mas rapidamente ele ganhou volume muscular e força nos exercícios, sem falar do bem estar após a dieta estar planejada e balanceada dentro dos padrões  de seu peso e de sua rotina nos treinos.

Logo a dieta vegana mostrou seus benefícios: “Digestibilidade com melhor eficiência dos alimentos, intestino regulado devido a quantidade de fibras, melhora no aspecto da pele, sem acnes, oleosidade e, principalmente, melhora no humor.”, recorda o atleta. Felipe consome todas as fontes proteicas, como feijão, lentilha, grão de bico, tofu e soja, carboidratos bons, como arroz, batatas,   mandioca, frutas, legumes e verduras em geral, oleaginosas, como castanhas, nozes, amendoim, amêndoas e fibras e cereais, como linhaça, aveia, chia ou quinoa.

 

 

Saboreando um “maravilhoso lanchinho” no meu restaurante vegano preferido na cidade de Sorocaba (SP), o conhecido Los Veggies, que preza pela qualidade de seus produtos e oferece à cidade e região momentos de prazer e satisfação. “

Preconceito de Outros Atletas

A mudança da alimentação ocasionou um problema
para o cotidiano de Felipe Garcia: “Sofri bastante Preconceito no meio do Fisiculturismo, pois parecia absurdo um vegano ganhar músculos ou definir o corpo comendo carboidratos em grande quantidade, já que os alimentos proteicos são acompanhados desse nutriente. Mas eu não dei ouvido, segui minha razão e meu coração. Estava disposto a largar mão de tudo pelo Veganismo, independentemente se essa decisão iria comprometer minha carreira como atleta”. Mas os resultados começaram surgir e a surpreender ao colega mais cético da academia, como relembra: “Viram ao vivo que é possível ser um atleta fisiculturista e que nossas proteínas e nosso estilo de vida são compatíveis em qualquer modalidade. Passei a ser referência, dentro e fora da academia.”
Felipe Garcia constrói sua dieta através da observação e do compartilhamento de informações com outros atletas e veganos e tem sido convidado para palestras em muitos eventos. Sua mais recente apresentação foi no Arnold Classic Conference, realizado em maio na cidade de São Paulo (SP), onde participou de uma mesa redonda com três nutricionistas e uma atleta de Triatlo vegana, contando sua trajetória e sua adaptação ao Veganismo.

As Competições

Em 2013, Felipe Garcia participou de sua primeira competição em Suzano (SP); foi a IX Copa Work Iron Taisso de Musculação e Fitness – 2013, organizada pela IFBB, onde conquistou o 3° Lugar na Categoria Sênior até 80 kg. O atleta ainda era onívoro. Em 2015, já seguindo a dieta vegana, conquistou o 1° Lugar na Categoria Class 1 (acima de 1,79 cm de altura) no II Campeonato de Fitness e Musculação de Mairinque, organizado pela Nabba. Competiu com oito atletas, sendo que um deles era vegano. O atleta recorda: “Foi muito prazeroso representar o Veganismo nos palcos e receber o título de campeão, quebrando os mitos de que proteína vegetal é inferior a proteína animal. Foi sensacional e mágico! Provei para muitos incrédulos de que um atleta não precisa se alimentar de carnes, ovos e whey para ter um excelente desempenho, seja em qual esporte for…”

Ainda em 2015, o atleta disputou a 3º Copa Energy Fitness de Musculação na cidade de Jandira (SP), também organizada pela Nabba, conquistando o 2° Lugar na Categoria Class 1 (acima de 1,79 cm de altura). Dois anos depois, disputou o Campeonato Paulista pela Nabba e pela WFF, na cidade de Osasco (SP), nas categorias: Nabba Class 1 (acima de 1,79cm de altura) e WFF Mens Performance (acima de 1,79 cm e 6 kg a mais da altura)

O hiato de dois anos entre as competições foi ocasionado pela falta de patrocínio e o alto investimento que o Fisiculturismo necessita. Atualmente se prepara para disputar duas competições neste ano: 1º Campeonato Paulista de Culturismo e Fitness, organizado pela NSL, a ser realizado no dia 12/08, na litorânea Guarujá-SP e o 4º Campeonato Paulista do Interior de  Musculação, da Liga Paulista de Musculação, dia 02/09, na cidade de Sorocaba-SP, ambas na categoria Fisiculturismo Clássico.

Suplementos Veganos e Patrocínios Felipe Garcia tem à sua disposição uma série de suplementos alimentares adequados a sua dieta, como descreve: “Utilizo proteína do arroz (Rice Protein) e proteína da ervilha (Pea Protein). Esta proteína auxilia na preservação da massa magra durante a dieta assim como na construção muscular (ganho de massa), além de ajudar a alcançar a quantidade diária que meu peso necessita do nutriente. Uso BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada tendo como aminoácido principal a importantíssima leucina) que tem por finalidade evitar o catabolismo muscular (perda de massa muscular) e auxiliar na recuperação da musculatura. Já o chá verde e os termogênicos naturais são importantes pelo seu poder diurético, ajudando o organismo a tirar aqueles líquidos indesejáveis e mantendo uma qualidade melhor ao físico. Também utilizo creatina e glutamina para a recuperação muscular, obter energia a mais durante o treinamento e manter o cérebro, intestino e outros tecidos em harmonia durante a dieta.”Como todo atleta, necessita de patrocinadores para 


custear sua preparação e sua participação em competições. A primeira empresa a apostar no potencial de Felipe foi a VeganWay, de Sorocaba. A segunda foi a Natural Science, de Curitiba, ambas tendo em seus portifólios suplementos e alimentos para veganos. Atualmente Felipe é patrocinado pela empresa Bionetic Foods, que segundo o atleta irá manter a divulgação dos atletas e do Veganismo através de site próprio relatando os feitos e características de cada patrocinado, através de eventos veganos e ongs de proteção e cuidado animal com arrecadação de verba através de porcentagem de venda de produtos e em eventos solidários onde doam suplementos e alimentos para as ongs, com embalagens ecologicamente corretas e forma de trabalho sustentáveis.”contatos: felipegarciadocarmo@gmail.com

 

 

Trajetória e família

Felipe nasceu em 24 de julho de 1985 na cidade de Sorocaba (SP). Cursou o 1º ano do ensino fundamental em uma escola estadual e depois foi para uma municipal, onde estudou até o 1º ano do colegial. A partir dessa época começou a fazer o curso de aprendiz no SENAI durante a manhã. Estagiava numa metalúrgica à tarde e passou a estudar à noite até terminar o ensino regular. Cursou ainda a faculdade de educação física. O futuro atleta não era muito adepto à prática de esportes, mas com o apoio da mãe e para perder peso, jogou Tênis por quatro anos, pois a escola tinha um convênio. Entre namoro e casamento, está há 15 anos com Joyce Pedroso do Carmo. O casal tem duas filhas, Isabelle com dez e Arielle com quatro anos. Hoje com 31 anos de idade, treina na Academia Smart Fit. Ele também é personal trainer e considera que ser um fisiculturista vegano é um meio para atuar no ativismo e propagar a proteção aos animais.

 

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