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DIABETES… USO DE SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL PARA PORTADORES É POSSÍVEL?

Estamos passando por um momento em que a sociedade contemporânea tem intensificado o culto ao corpo. Corpo “sarado”, “trincado”, “definido”. Observamos no Instagram, Facebook e outras mídias sociais pessoas fazendo loucuras para chegar no resultado final, muitas vezes com conceitos distorcidos e dietas mirabolantes.
Mas a busca pela saúde também vem se intensificando. Neste contexto, indivíduos diabéticos são orientados sobre os benefícios da prática da atividade para prevenção e diminuição da glicose sérica proveniente dessa patologia. Além dos benefícios para a saúde, eles buscam também objetivos estéticos e, para isso, a musculação é a principal opção.
A incidência do Diabetes cresce a cada ano e dentre os fatores relacionados estão o estilo de vida, alto consumo de açúcar, sedentarismo, má alimentação e fatores genéticos
Para o praticante de musculação, a alimentação e suplementação específicas são necessárias e surgem dúvidas sobre como os diabéticos podem utilizar suplementos sem acarretar riscos à saúde.

Você sabe o que é Diabetes Mellitus (DM)?
DM são distúrbios metabólicos que culminam na hiperglicemia (elevação do açúcar sanguíneo) e podem resultar na destruição das células beta pancreáticas, que são responsáveis por produzir insulina, implicando na ausência total desse hormônio, caracterizando o Diabetes tipo 1 (quando o pâncreas não produz insulina suficiente). Conhecido como insulinodependente, esse indivíduo apresenta quadro de baixos níveis de insulina ou mesmo inexistência de sua produção.

O Diabetes tipo 2 pode resultar da resistência à ação da insulina, alterando a atividade beta pancreática. Está associado à hereditariedade, dependendo, entretanto, de fatores como sedentarismo e maus hábitos alimentares para se manifestar. Este tipo de DM pode ocorrer com mais incidência em pessoas obesas, sedentárias, hipertensas, com mais de 40 anos e colesterol elevado, lembrando que a doença também é comum em crianças e adolescentes.

INSULINA E HIPERTROFIA
A insulina é um hormônio que transporta glicose do sangue para as células e é altamente anabólica.
A insulina é proveniente do pâncreas; ela entra na corrente sanguínea e viaja para vários tecidos, incluindo o tecido muscular. As fibras musculares são revestidas por receptores de insulina, hormônio que ainda aumenta o fluxo de sangue nos músculos e por isso é tão importante para a construção muscular.
Com nutrição e suplementação adequadas, mesmo os portadores de diabetes conseguem altos níveis de construção muscular.
A AÇÃO DE AlGUNS SUPLEMENTOS EM INDIVÍDUOS DIABÉTICOS
WHEY PROTEIN – A Proteína do soro do leite é importante para a construção muscular. Pesquisas recentes apontam que o whey protein ajuda a reduzir a quantidade de açúcar no sangue, além da melhora do sistema imunológico.
Mecanismo de funcionamento do Whey Protein
O whey protein pode baixar a glicemia através de 2 elementos:
1 – Estímulo à geração de glicogênio. Quanto mais glicogênio é criado, significa que mais açúcar está sendo retirado do sangue para ser estocado nessa forma, o que ajuda a diminuir a quantidade de açúcar na circulação sanguínea.
2 – Um receptor alternativo de glicose é ativado pelas células musculares, permitindo a captação do açúcar da corrente sanguínea pelos músculos, independentemente da insulina, favorecendo a diminuição da glicemia
IMPORTANTE – Consumir Whey Protein Hidrolisado ou Isolado, pois os concentrados contém quantidade significativa de “ Carboidratos”, o que pode ser prejudicial
ÔMEGA 3 – Contribui para o aumento de adiponectina, um hormônio que está relacionado com a sensibilidade à insulina. Altos níveis de adiponectina sérica também têm sido relacionados à diminuição do risco de doença cardíaca. O Ômega 3 é um suplemento à base de óleo de peixe que reduz os riscos de doenças cardiovasculares, diminui os níveis séricos de triglicerídeos e tem
efeito anti-inflamatório.

GLUTAMINA – Os quatro pilares que tornam diabéticos propensos a complicações são: susceptibilidade a infecções, hiperglicemia, doença vascular e danos nervosos.
Então preste atenção e tenha CUIDADO ao administrar a Glutamina em portadores de DM I. Os insulinodependentes NÃO DEVEM ADMINISTRAR GLUTAMINA, pois o Diabetes tipo 1 é causado pela ação autoimune do organismo, e o efeito da glutamina relacionado com esse sistema pode ampliar os danos causados às células pancreáticas.
Mas, no caso de DM II, em que se manifestam as maiores infecções relacionadas ao diabetes, a glutamina é considerada importante.

Já os BCAA’S, muito usados entre os praticantes de musculação podem apresentar resultados benéficos para hipertrofia, porém maléficos para portadores de diabetes. A LEUCINA, aminoácido presente nos BCAA’S, responsável pelo aumento de massa magra pode alterar a regulação da glicose, aumentando a resistência à insulina. Este aminoácido ativa a proteína mTOR(*), que induz o ganho de massa muscular, mas por outro lado também age na regulação do metabolismo glicêmico e a resistência à insulina. Eu não indicaria para portadores de DMI e também para portadores de alto valor de glicemia em exames bioquímicos.

Conclusão
Com o uso adequado de suplementação e uma nutrição equilibrada, podemos alcançar bons níveis de hipertrofia em diabéticos ou em pessoas não portadoras dessa patologia. O importante é manter um estilo de vida ativo e buscar, sempre, a orientação de especialistas, como médicos, nutricionistas e profissionais de educação física.
Para sanar qualquer dúvida entre em contato: larissagcunha@hotmail.com
(*) A Proteína mTOR (Mammalian Target of Rapamycin) é composta por mais de 2.000 aminoácidos e é altamente relacionada à síntese proteica. É ativada pela Leucina e atua no aumento de massa muscular.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, H. Diabetes Melito: uma abordagem simplificada para profissionais da saúde. São Paulo: Atheneu, 1997;
Farmacologia. Seção VII – Drogas Endócrinas. Capítulo 41 – Hormônios Pancreáticos e Agentes Antidiabéticos;
MAHAN, L.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: Alimentação, nutrição e dietoterapia. 9ed. São Paulo: Roca,. p. 697-732;
MERCURI, N.; ARRECHEA, V. Atividade física e diabetes melito. Diabetes Clínica/ Jornal multidisciplinar do diabetes e das patologias associadas. 4 ed. Buenos Aires: Atlântica, p. 347-349.

– Nutricionista CRN 8457 Pr
– Personal Trainer CREF 2998 G Pr
– Especialista em Treinamento Desportivo
– Especialista em Fitoterapia
– Mestranda em Nutrição e Biotecnologia de Alimentos
– Integral Expert
– Bi-Campeã Mundial e Miss Universo Bodybuilding
– Contato: larissagcunha@hotmail.com

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